Fotografia: Cristiano Prim

Quarto 3

Uma porta fechada, por Ida Mara Freire

Uma porta fechada em um espaço aberto chama a atenção. Mas, do que isso desperta a curiosidade. O que há neste quarto trancado, pergunto ao forçar a maçaneta. Uma pessoa desconhecida, familiarizada com o local, gesticulando indica-me a fechadura. Agacho-me de modo acomodar o corpo para olhar. O que estou a ver? Uma profundidade me é aberta. Aprendo com Maurice Merleau-Ponty que a profundidade é o meio que têm as coisas de permanecerem nítidas, ficarem coisas, embora não sendo aquilo que olho atualmente. Observo uma cena, percebo que os movimentos se repetem. O meu olhar não vence a profundidade, contorna-a, no formato dessa pequena fechadura.

Room 3

A closed door, by Ida Mara Freire

A closed door in an open space draws attention. But, most of all arouses curiosity. What’s locked in this room locked, I ask as I force handle. An unknown person, but familiar with the place shows the keyhole. I squat in order to accommodate the body to look. What am I going to see? A depth opens up. I learn from Maurice Merleau-Ponty that the depth is the way that things have to remain sharp, to make things, although not what I look today. I watch a scene; I realize that the movements are repeated. My eyes can’t outwin depth, it surrounds it, in the format of the small keyhole.